EDITORIAL | O BRASIL JURÍDICO
O brasileiro tem voz na urna. Mas, entre uma eleição e outra, frequentemente se sente do lado de fora das decisões que determinam sua vida. Vê autoridades disputando espaço, negociando pautas e cobrando lealdade, enquanto suas próprias cobranças parecem esperar indefinidamente.
Esperamos um Senado e uma Câmara íntegros, comprometidos com a população e com o Estado de Direito. Parlamentares que expliquem suas escolhas, cumpram compromissos e compreendam que o mandato pertence à sociedade.
O debate em torno do discurso de Davi Alcolumbre traz uma pergunta necessária: quanto espaço sobra para o cidadão quando a discussão pública se concentra nas queixas e nos interesses dos próprios políticos?
Ofensas pessoais não melhoram o Parlamento. Mas cobrar quem preside uma instituição, questionar suas decisões e exigir transparência são exercícios legítimos da democracia. Nenhuma autoridade deve confundir o respeito ao cargo com imunidade à crítica.
A negociação faz parte da política. O problema surge quando o cidadão não consegue saber o que foi negociado, por quem e em troca de quê. Acordos que afetam milhões de brasileiros precisam de razões públicas, critérios claros e responsáveis identificáveis.
Quem enfrenta a insegurança, espera atendimento médico ou luta para sustentar a família não pode ser lembrado apenas quando chega a hora de pedir votos. É para essas pessoas que o Congresso deve trabalhar.
Não reivindicamos que toda decisão corresponda à nossa vontade. Exigimos que ela possa ser compreendida, fiscalizada e contestada. A lei obriga o cidadão; a responsabilidade de explicar como ela foi construída deve obrigar seus representantes.
Brasília precisa abrir as portas das decisões. O povo não pode continuar sendo chamado apenas para cumprir o que outros resolveram.
O BRASIL JURÍDICO
O FATO. O DIREITO. O CONTEXTO.

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